Contratraduções latino-americanas e leituras coletivas na Ilha-Brasil

Autores/as

  • Flavia Krauss Universidade do Estado do Mato Grosso

DOI:

https://doi.org/10.18485/beoiber.2021.5.1.5

Resumen

Este texto busca contribuir com uma possível inspiração para as didáticas dos estudos hispânicos no mundo. Para tanto, apresenta uma forma de trabalho que vem sendo desenvolvida no interior do Brasil, em Tangará da Serra, no Estado de Mato Grosso – região fronteiriça com a Bolívia. A partir de estudo anterior (Krauss 2016), dedicado a analisar o trabalho de editoras cartoneras, entendeu-se que seu catálogo é uma porta privilegiada para um trabalho linguístico e literário que se empenhe em ser contra-hegemônico (Palmeiro 2010, Navarro 2020). A experiência iniciou-se com o contato com uma editora boliviana cartonera e, posteriormente, formou-se um grupo de alunas dispostas a traduzir alguns de seus títulos para posterior publicação no Brasil. A esse trabalho, uma das autoras traduzidas, Virginia Ayllón, intitulou de contratradução, já que se coloca na contra-mão do que preponderantemente se traduz na América Latina. Ao longo do trabalho, percebeu-se um produtivo engajamento das alunas no processo de tradução, mas elas não se relacionavam muito entre si. Por essa razão, foi proposto um trabalho de leitura coletiva das obras que estavam sendo traduzidas. A metodologia adotada foram encontros semanais pela plataforma Google Meet para diálogo a respeito da obra que era lida. A partir de uma análise interpretativa das reuniões e de entrevistas individuais realizadas com todas as alunas-tradutoras, percebeu-se que essa é uma dinâmica que tem produzido efeitos positivos para a relação que as estudantes de língua espanhola estabelecem tanto com a língua quanto com sua literatura, mas, sobretudo, que esse é um circuito de trabalho que tem contribuído para a desconstrução de certo imaginário que ronda despectivamente nossos vizinhos bolivianos. Desse modo, a partir da transcrição das entrevistas e de trechos de nossos encontros, concluiu-se que essa seja uma prática que em muito tem colaborado para um aprimoramento da leitura da palavra que se oferece como suporte para uma melhoria da leitura de mundo das alunas.

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Publicado

2021-06-24

Cómo citar

Krauss, F. (2021). Contratraduções latino-americanas e leituras coletivas na Ilha-Brasil . BEOIBERÍSTICA - Revista De Estudios Ibéricos, Latinoamericanos Y Comparativos (ISSN: 2560-4163 Online), 5(1), 73–89. https://doi.org/10.18485/beoiber.2021.5.1.5

Número

Sección

DIDÁCTICA