UM MODO DE SOBREVIVER AO VAZIO: O NEORREALISMO PORTUGUÊS EM ALVES REDOL E VERGÍLIO FERREIRA

André Carneiro Ramos

Resumen


Perante os riscos de se abordar um assunto tão relevante para a literatura portuguesa, que alicerçou ainda mais as bases de sua modernidade no romance, aqui se desenvolverá uma breve reflexão sobre o Neorrealismo em Portugal e seu caráter de militância, denúncia e reflexão, com escritores da importância de Alves Redol e Vergílio Ferreira, cada um à sua maneira, representando a impossibilidade de o homem se desligar de sua dimensão social. Mais especificamente, tal proposição me leva a pensar na fase existencialista do autor de Estrela polar (1962), indagando sobre até que ponto ele teria se afastado mesmo das realidades sociais propagadas pelo movimento. Para esse percurso, exponho duas das perguntas que mais me interessam: a) o personagem Alberto, do romance Aparição, enquanto um “ser-aí” heideggeriano, poderia fazer a diferença para si mesmo num primeiro momento, objetivando, tempos depois, sentir-se apto para abraçar a coletividade? b) Isso poderia fazer parte de uma espécie de projeto de Vergílio Ferreira, que assim qualificaria sua obra como um todo intercambiante? Assim sendo, sintonizados pela premissa principal, críticos como João Laranjeira Henriques, José Carlos Barcellos, José Rodrigues Paiva, Isabel Margato e Carlos Reis me levam a crer que a aproximação entre os escritores elencados representa muito bem o delineamento de fecundas possibilidades de compreensão/releitura das obras literárias envolvidas, ressaltando-lhes a atualidade.

Palavras-chave: Neorrealismo Português, Existencialismo, Alves Redol, Vergílio Ferreira.

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Referencias


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DOI: https://doi.org/10.18485/beoiber.2018.2.1.9

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ISSN: 2560-4163 Online

Cátedra de Estudios Ibéricos, Facultad de Filología, Universidad de Belgrado